Em 2017, a Medida Provisória 808 foi instaurada pelo Governo com o intuito de regulamentar e esclarecer algumas dúvidas sobre a Reforma Trabalhista do mesmo ano, promovendo segurança jurídica. Dentre as questões frequentes que permeavam o assunto, esclarecer se o trabalhador intermitente recebe seguro-desemprego ou não foi um das resoluções proporcionadas pela MP.

 Contudo, como esse tipo de medida precisa ser devidamente votada e aprovada pelo Senado – o que não aconteceu -, a legislação brasileira passou por mais mudanças. Para ficar de olho em todas essas alterações e entender como o direito do seguro-desemprego configura-se no trabalho intermitente, continue conosco! Tenha uma boa leitura.

trabalhador intermitente recebe seguro desemprego

A MP 808 ainda tem validade?

A Medida Provisória 808 não tem mais validade desde abril de 2018. Essa MP apenas alterou a Reforma Trabalhista de 2017 provisoriamente, na medida em que esclareceu alguns tópicos em aberto sobre o seguro-desemprego, extinguindo a possibilidade de solicitação do benefício pelos trabalhadores intermitentes, conforme escrito no art. 452-E. Mas o que vale agora então? Descubra a seguir!

Portaria MT 349/2018

Agora, o que vale são as disposições da Portaria MT 349/2018, que dispôs obrigatoriedades importantes para os empregados e o empregadores intermitentes, como a necessidade de um contrato de trabalho realizado por escrito, por exemplo.

Afinal, o trabalhador intermitente recebe seguro-desemprego?

Sim, o trabalhador intermitente recebe seguro-desemprego. Como esse é um direito constitucional garantido a qualquer profissional com a carteira de trabalho assinada e os funcionários intermitentes têm registro em carteira, o Programa do Seguro-Desemprego também abrange esse grupo.

Pode solicitar o seguro-desemprego o funcionário que:

  • tiver sido dispensado sem justa causa;
  • estiver desempregado, quando do requerimento do benefício;
  • ter recebido salários de pessoa jurídica ou pessoa física equiparada à jurídica (inscrita no CEI) relativos a:
    • pelo menos 12 (doze) meses nos últimos 18 (dezoito) meses imediatamente anteriores à data de dispensa, quando da primeira solicitação;
    • pelo menos 9 (nove) meses nos últimos 12 (doze) meses imediatamente anteriores à data de dispensa, quando da segunda solicitação; e
    • cada um dos 6 (seis) meses imediatamente anteriores à data de dispensa, quando das demais solicitações;
  • não possuir renda própria para o seu sustento e de sua família;
  • não estiver recebendo benefício de prestação continuada da Previdência Social, exceto pensão por morte ou auxílio-acidente.

Fonte: Caixa Econômica Federal

É importante enfatizar que o funcionário intermitente – e qualquer outro celetista – só pode receber o seguro-desemprego se tiver sido mandado embora por motivos que não configurem justa causa.

Como solicitar?

Para solicitar o seguro desemprego da modalidade intermitente é preciso ter em mãos os seguintes documentos:

  • RG;
  • CPF;
  • CTPS (Carteira de Trabalho e Previdência Social);
  • requerimento do seguro-desemprego.

Antes da pandemia, o empregado tinha a possibilidade de ir até um dos postos autorizados pelo Ministério do Trabalho ou às Superintendências Regionais do Trabalho e Emprego de sua cidade.

Todavia, a situação mudou por conta do coronavírus, de modo que, para que todos sigam os protocolos de isolamento, o benefício agora pode ser solicitado através do site do MTE ou a partir do app Carteira de Trabalho Digital. Fica a dica!

Como fazer o cálculo da rescisão do trabalhador intermitente?

A situação que antecede o gozo do seguro-desemprego é a dissolução do contrato de trabalho intermitente, que, como vimos, não pode ter sido motivada por justa causa. Para que tudo ocorra conforme a legislação, o cálculo da rescisão na modalidade intermitente deve conter o salário-família, caso o funcionário seja beneficiário do programa, pois o valor das férias já é pago ao término de cada período trabalhado.

Além desse valor, o cálculo deve ser baseado em:

  • saldo de salários;
  • férias vencidas, com acréscimo de 1/3 constitucional;
  • salário-família (quando for o caso);
  • depósito do FGTS do mês da rescisão;
  • multa de 40% do FGTS;
  • seguro-desemprego.

Assim, além disso, é preciso apenas dar baixa na carteira de trabalho do intermitente e pronto, a rescisão está efetuada! O prazo para encerrar toda a relação trabalhista é de até dez dias, contados a partir do término do contrato.

Agora que você já conseguiu esclarecer suas dúvidas sobre rescisão e seguro-desemprego de uma só vez, que tal continuar por dentro do universo do emprego doméstico? Assine a newsletter do blog Trabalho Intermitente Online! Com atualizações semanais, o TIO definitivamente vai descomplicar a gestão dos seus trabalhadores intermitentes, fique ligado e comprove!

Minuta de Contrato de Trabalho Intermitente

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