Os setores que mais contratam trabalhadores intermitentes no Brasil são, por ordem: Serviços, Comércio, Construção Civil e Indústria. Juntos, esses quatro segmentos concentram mais de 95% de todas as admissões nessa modalidade, segundo os dados mais recentes do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).
Se você é gestor, empresário ou está explorando oportunidades de trabalho intermitente, entender quais setores lideram essas contratações e por quê é o primeiro passo para tomar decisões mais estratégicas.
Neste artigo, você vai encontrar dados atualizados de 2024, uma análise detalhada por segmento e dicas práticas para aproveitar ao máximo esse modelo contratual.
O que é trabalho intermitente e por que ele cresce tanto?
O trabalho intermitente é um contrato formal, com registro em carteira, no qual a prestação de serviços não é contínua.
O trabalhador é convocado pela empresa apenas quando há demanda, e o pagamento ocorre proporcionalmente às horas efetivamente trabalhadas, incluindo férias, 13º e DSR proporcionais já embutidos em cada convocação.
A modalidade foi criada pela Reforma Trabalhista de 2017 (Lei nº 13.467/2017) com o objetivo de formalizar o chamado “bico”, prática amplamente difundida, mas que deixava milhões de trabalhadores sem proteção legal. [1]
Segundo dados do CNI, 91% das empresas entrevistadas concordam que o modelo intermitente foi importante para a segurança jurídica e para a formalização de trabalhadores que realizavam atividades eventuais. Além disso, 85% das que já aderiram pretendem contratar novamente. [2]
O crescimento é inegável: em 2024, o Novo CAGED registrou 324.819 admissões em regime intermitente, um número que reforça a consolidação dessa modalidade no mercado de trabalho brasileiro. [3]
Quais são os setores que mais contratam trabalhadores intermitentes?
Com base nos dados mais recentes do CAGED e do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), este é o panorama atual:
| Setor | Saldo de postos em 2025 | Variação |
| Serviços | +758.355 | Maior saldo absoluto do ano |
| Comércio | +247.097 | +2,3% |
| Indústria | +144.319 | +1,6% |
| Construção Civil | +87.878 | +3,1% |
| Agropecuária | +41.870 | +2,3% |
Todos os cinco agrupamentos econômicos registraram saldo positivo no acumulado do ano, com destaque absoluto para o setor de serviços, responsável por mais da metade dos postos criados.
Dentro do setor de serviços, atividades de informação, comunicação e financeiras tiveram o maior crescimento absoluto, com 318.460 novos postos, enquanto a divisão de artes, cultura e recreação apresentou o maior crescimento proporcional, de 9,07%.
No que diz respeito ao trabalho intermitente em específico, a distribuição histórica por setor, confirmada pelo CAGED, segue a mesma hierarquia: Serviços concentra a maior parte das admissões, seguido por Comércio, Construção e Indústria. [3]
1. Setor de Serviços: o maior empregador intermitente do Brasil
O setor de serviços é, de longe, o maior contratante de trabalhadores intermitentes no Brasil. Em 2025, o setor foi responsável por mais da metade de todos os postos formais criados no ano, com 758.355 novas vagas.
No recorte de contratos intermitentes, o setor historicamente concentra entre 44% e 69% de todas as admissões nessa modalidade. [3]
A explicação está na natureza do setor: hotelaria, turismo, alimentação, eventos, limpeza e serviços gerais trabalham com demanda imprevisível e sazonal.
Um hotel na alta temporada, um restaurante no fim de semana ou uma empresa de eventos durante um congresso precisam de mão de obra extra — mas apenas por períodos específicos.
Subsetores que mais se destacam
Hotelaria e turismo
Hotéis, pousadas e resorts contratam recepcionistas, camareiras e manobristas de forma intermitente para atender à demanda de feriados prolongados, alta temporada e eventos regionais.
A sazonalidade é o principal motor dessas contratações.
Saiba mais: Contrato Intermitente para Hotelaria: Solução para Picos.
Alimentação (bares, restaurantes e catering)
Garçons, cozinheiros auxiliares e baristas são os perfis mais convocados. Um restaurante pode convocar garçons intermitentes exclusivamente nas sextas e sábados à noite, sem a obrigação de mantê-los na folha durante os outros dias.
Saiba mais: Contrato Intermitente para Bares e Restaurantes: Guia 2026.
Serviços administrativos e complementares
Em setembro de 2025, o subsegmento de Atividades Administrativas e Serviços Complementares gerou 36.794 postos, com destaque para Locação de Mão de Obra Temporária (+11.251), dado que reforça a tendência de terceirização e contratação flexível nesse nicho.
Artes, cultura e recreação
A divisão de artes, cultura e recreação teve o maior crescimento proporcional de todo o setor de serviços em 2025, com alta de 9,07%. Shows, festivais e espaços culturais são grandes demandantes do regime intermitente.
2. Comércio: sazonalidade e picos de venda impulsionam as contratações
O comércio é o segundo maior gerador de empregos formais em 2025 e um dos segmentos que mais utiliza o regime intermitente para cobrir picos sazonais. O Comércio registrou saldo positivo de 247.097 postos formais em 2025, crescimento de 2,3%.
Datas como Natal, Black Friday, Dia das Mães, Páscoa e Dia dos Pais são os principais gatilhos para contratações intermitentes no varejo. O fluxo de clientes pode triplicar nesses períodos, e manter uma equipe fixa para atender a esse pico seria economicamente inviável para a maioria dos negócios.
Cargos mais contratados no comércio
- Assistente de vendas.
- Atendente de lojas e mercados.
- Repositor de mercadorias.
- Operador de caixa.
- Estoquista.
O assistente de vendas é a ocupação com maior saldo absoluto de contratos intermitentes em todo o Brasil, liderança que se manteve estável ao longo dos últimos anos de série histórica do CAGED. [3]
Um ponto importante: no contrato intermitente, o cargo registrado em carteira não pode ser alterado de uma convocação para outra. Um colaborador admitido como vendedor não pode ser convocado para atuar como estoquista. Isso exige planejamento prévio da equipe.
3. Construção Civil: crescimento expressivo e contratações estratégicas
A construção civil é um dos setores com melhor desempenho proporcional em 2025. O setor da Construção gerou 87.878 postos formais no ano, com crescimento de 3,1% – o segundo maior crescimento percentual entre os cinco grandes grupamentos econômicos.
A lógica do intermitente na construção é simples: obras têm fases com necessidades muito diferentes de mão de obra. A fase de estrutura exige mais operários do que a fase de acabamento.
Contratar intermitentemente permite ajustar o quadro de pessoal a essas variações sem gerar passivo trabalhista.
Cargos mais contratados na construção
- Servente de obras.
- Pedreiro.
- Ajudante de armador.
- Auxiliar de carpinteiro.
- Operador de equipamentos.
O servente de obras é consistentemente apontado pelo CAGED como uma das ocupações com maior saldo de contratos intermitentes no país. [3]
4. Indústria: o modelo intermitente ganha força nas linhas de produção
A Indústria criou 144.319 empregos em 2025, com crescimento de 1,6%, com destaque para os segmentos de Fabricação de Produtos Alimentícios (+49.039) e Manutenção, Reparação e Instalação de Máquinas e Equipamentos (+17.021).
Embora seja o setor com maior associação a contratos CLT tradicionais, a indústria de transformação tem adotado crescentemente o modelo intermitente para otimizar a produção em picos sazonais, como a fabricação de produtos para datas comemorativas ou reposição de estoques no varejo.
Cargos mais contratados na indústria
- Alimentador de linha de produção.
- Auxiliar de produção.
- Operador de máquinas.
O alimentador de linha de produção figura entre as 10 ocupações com maior saldo de contratos intermitentes no Brasil, segundo o CAGED. [3]
5. Setor de Eventos: o “berço natural” do trabalho intermitente
Embora seja contabilizado dentro do setor de serviços nos dados do CAGED, o trabalho intermitente para eventos merece análise separada pela sua relevância estratégica e pelos números de 2025 que o confirmam.
Shows, congressos, feiras, casamentos, formaturas e conferências têm uma característica em comum: toda a demanda de mão de obra se concentra em um único dia ou fim de semana.
A divisão de artes, cultura e recreação, que engloba boa parte do setor de eventos, foi justamente a que apresentou o maior crescimento proporcional entre todos os subsetores de serviços em 2025.
Cargos mais contratados em eventos
- Garçom.
- Recepcionista.
- Segurança / Vigilante.
- Montador de estruturas.
- Coordenador de logística.
- Profissional de limpeza.
6. Agropecuária: crescimento consistente e formalização rural
A Agropecuária apresentou saldo positivo de 41.870 empregos em 2025, com crescimento de 2,3%. Colheitas sazonais, plantios pontuais e atividades de manutenção rural são os principais motivadores do trabalho intermitente nesse setor.
A formalização de trabalhadores rurais que antes operavam de forma completamente informal é um dos impactos mais positivos da modalidade nesse segmento, especialmente relevante em regiões como o Nordeste, que registrou crescimento de 4,38% no emprego formal em 2025, a segunda maior variação regional do país.
Leia também:
- Trabalho Intermitente para Mercado de Agronegócio.
- Como funciona o trabalho intermitente para mão de obra rural?
Quais são as ocupações com maior saldo de contratos intermitentes no Brasil?
Além de entender quais setores mais contratam, é estratégico conhecer as ocupações que concentram mais vagas intermitentes.
Com base na série histórica consolidada do CAGED [3], as principais são:
- Assistente de vendas.
- Repositor de mercadorias.
- Cozinheiro geral.
- Vendedor de comércio varejista.
- Atendente de lojas e mercados.
- Servente de obras.
- Alimentador de linha de produção.
- Faxineiro.
- Agente de segurança / Vigilante.
- Ajudante de motorista.
O contrato intermitente cresce mesmo com o mercado desacelerando?
Um dado que chama atenção nos números de 2025 é a resiliência do contrato intermitente em um cenário de desaceleração geral.
Enquanto o vínculo típico (Geral) recuou 18,0% no acumulado anual, a modalidade intermitente cresceu 23,0%, tornando-se a segunda categoria não típica com melhor desempenho no período.
Isso confirma uma tendência estrutural: quando a economia aperta, as empresas não param de contratar – elas contratam de forma mais flexível.
Em outubro de 2025, do total de vagas criadas no mês, 32,3% eram não típicas, impulsionadas principalmente por contratos intermitentes (15.056 novas vagas) e jornadas de até 30 horas semanais (10.693).
Por que empresas escolhem o contrato intermitente?
A adesão ao modelo intermitente cresce porque ele resolve um problema real: como ajustar o tamanho da equipe à variação da demanda sem gerar riscos trabalhistas?
Os principais motivadores:
- Redução de custos: o empregador paga apenas pelo tempo efetivamente trabalhado.
- Segurança jurídica: formaliza relações que antes eram informais (“bicos”).
- Flexibilidade operacional: a empresa convoca com apenas 3 dias de antecedência.
- Adaptação à sazonalidade: equipes podem crescer e encolher conforme a demanda.
Vale destacar: o salário médio de admissão para trabalhadores não típicos em outubro de 2025 foi de R$ 1.974,07, cerca de 14,3% abaixo da média dos trabalhadores típicos (R$ 2.348,20).
Isso representa uma vantagem de custo significativa para o empregador em contratações intermitentes, mantendo-se dentro da legalidade.
Conclusão
Os setores que mais contratam trabalhadores intermitentes no Brasil — Serviços, Comércio, Construção Civil, Indústria e Eventos — têm em comum a necessidade de flexibilizar a equipe diante de demandas variáveis.
Com crescimento de 23% no acumulado de 2025 e um saldo total de 1,27 milhão de empregos formais criados no ano, o modelo intermitente deixou de ser tendência e se tornou uma ferramenta estratégica consolidada no mercado de trabalho brasileiro e que resiste mesmo em cenários de desaceleração.
Para empresas, o principal ganho está na redução de custos com pessoal sem abrir mão da conformidade legal. Para trabalhadores, a formalização de atividades que antes eram informais representa mais proteção e previsibilidade.
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Perguntas Frequentes (FAQ)
O setor de Serviços é o maior contratante de trabalhadores intermitentes no Brasil. Em 2025, o setor criou 758.355 novos postos formais — mais da metade de todo o saldo de empregos do ano — e historicamente concentra entre 44% e 69% de todas as admissões intermitentes, conforme dados do CAGED.
Sim. No acumulado de janeiro a novembro de 2025, o contrato intermitente cresceu 23% em relação ao mesmo período de 2024, segundo análise do IBRE/FGV sobre os microdados do Novo CAGED. Foi o segundo maior crescimento entre todas as modalidades de vínculo empregatício no ano.
O Brasil encerrou 2025 com saldo positivo de 1.279.498 empregos formais (resultado de 26,59 milhões de admissões e 25,32 milhões de desligamentos), segundo dados do Novo CAGED divulgados pelo MTE em janeiro de 2026.
Sim. O trabalhador intermitente tem carteira assinada e direito a férias, 13º salário, FGTS, INSS e DSR — todos proporcionais ao tempo efetivamente trabalhado. O pagamento deve ser feito ao final de cada convocação.
Sim, com exceção dos aeronautas (regidos por legislação própria). O contrato intermitente pode ser firmado para qualquer setor, cargo ou porte de empresa, desde que respeite as regras da CLT reformada (Lei 13.467/2017).
As ocupações com maior saldo de contratos intermitentes são: assistente de vendas, repositor de mercadorias, cozinheiro geral, vendedor de comércio varejista, servente de obras e alimentador de linha de produção, segundo o CAGED.
Não. O freelancer (autônomo) não tem vínculo empregatício. O trabalhador intermitente tem carteira assinada, vínculo formal com o empregador e direitos proporcionais. A principal diferença está na continuidade: o intermitente trabalha apenas quando convocado, mas sob subordinação.
Referências
[1] Planalto. DECRETO-LEI Nº 5.452, DE 1º DE MAIO DE 1943 (Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT).
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