Direitos e Deveres no Contrato Intermitente: Guia para 2026

Os direitos e deveres no contrato intermitente equilibram a flexibilidade patronal com garantias fundamentais. O trabalhador possui direito a salário-hora (mínimo ou piso), férias e 13º proporcionais, DSR, FGTS e Previdência. Seu dever é responder à convocação em 24h, enquanto o empregador deve convocar com 72h de antecedência conforme a Lei 13.467/2017.

Ilustração representando direitos e deveres no contrato intermitente, com pessoas analisando um documento de contrato em formato digital, destacando a importância do acordo laboral.

O trabalho intermitente emergiu como uma das inovações mais significativas da Reforma Trabalhista de 2017 (Lei nº 13.467/2017) [1]. Sua proposta é simples, mas revolucionária: formalizar a prestação de serviços não contínua, com alternância de períodos de atividade e inatividade, conforme a demanda do empregador. Por isso, ambos os lados têm direitos e deveres no contrato intermitente.

Para empresas e trabalhadores, essa modalidade oferece flexibilidade e segurança jurídica, mas exige um conhecimento aprofundado das regras. Afinal, a relação de trabalho intermitente, embora flexível, é regida pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e garante todos os direitos constitucionais, pagos de forma proporcional ao final de cada convocação.

Este guia completo foi elaborado para detalhar os direitos e deveres no contrato intermitente para o ano de 2026, garantindo que sua gestão esteja em total compliance com a legislação.

O que é o Contrato de Trabalho Intermitente?

O contrato intermitente é um tipo de vínculo empregatício formal, registrado em Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) e no eSocial, caracterizado pela descontinuidade.

Conforme o artigo 443 da Lei n.º 13.467 [1]:

§3º Considera-se como intermitente o contrato de trabalho no qual a prestação de serviços, com subordinação, não é contínua, ocorrendo com alternância de períodos de prestação de serviços e de inatividade, determinados em horas, dias ou meses, independentemente do tipo de atividade do empregado e do empregador, exceto para os aeronautas, regidos por legislação própria.

A principal característica é a alternância entre períodos de trabalho efetivo e inatividade, sendo que o trabalhador só é remunerado pelo tempo em que está à disposição e prestando serviços.

Direitos do Trabalhador Intermitente: A Lista Completa

O trabalhador intermitente possui os mesmos direitos de um empregado tradicional, mas com a particularidade de que a maioria dos valores é paga de forma proporcional ao final de cada convocação, e não no mês seguinte.

DireitoDetalhamentoForma de Pagamento
SalárioNão pode ser inferior ao salário-mínimo/hora (R$ 6,90 em 2025, podendo ser atualizado em 2026) ou ao piso da categoria.Pago ao final de cada convocação.
FériasProporcionais ao período trabalhado, acrescidas de 1/3 constitucional.Pagas ao final de cada convocação.
13º SalárioProporcional ao período trabalhado.Pago ao final de cada convocação.
DSR (Descanso Semanal Remunerado)Garante um dia de folga remunerada após 6 dias de trabalho.Incluído no pagamento ao final da convocação.
Adicionais LegaisHoras extras (50% sobre o valor da hora), Adicional Noturno (20% sobre a hora), Insalubridade e Periculosidade (se aplicável).Pagos ao final de cada convocação.
FGTSDepósito de 8% sobre a remuneração de cada período trabalhado.Depositado mensalmente pela empresa.
INSSRecolhimento previdenciário, com possibilidade de complementação pelo trabalhador para atingir o mínimo.Recolhido mensalmente pela empresa.
Benefícios PrevidenciáriosAcesso a auxílio-doença, salário-maternidade, aposentadoria, desde que cumprida a carência.Mediante solicitação ao INSS.

O Pagamento Proporcional: Férias e 13º

É crucial entender que o trabalhador intermitente recebe as verbas de férias e 13º salário antecipadamente [1]. Isso significa que, ao final de cada período de trabalho (convocação), o empregador deve incluir no recibo de pagamento:

  1. Salário Proporcional: Valor das horas ou dias trabalhados.
  2. Férias Proporcionais + 1/3: Antecipação do direito constitucional.
  3. 13º Salário Proporcional: Fração correspondente ao período trabalhado.
  4. Descanso Semanal Remunerado (DSR): Valor sobre as horas trabalhadas.
  5. Adicionais Legais: Horas extras (mínimo 50%), adicional noturno (20%), insalubridade ou periculosidade, se aplicáveis.

Ao completar 12 meses de contrato, o trabalhador adquire o direito a um mês de descanso, no qual não pode ser convocado por aquela empresa, mas não recebe remuneração adicional, pois já recebeu os valores proporcionais ao longo do ano.

Deveres do Empregador e do Trabalhador Intermitente

A relação intermitente é uma via de mão dupla, exigindo Direitos e deveres no contrato intermitente de ambas as partes para manter a legalidade e a harmonia.

Deveres do Empregador (Foco em Compliance)

O empregador tem a responsabilidade de garantir que a contratação intermitente seja um modelo de segurança jurídica.

  1. Formalização e Registro: Elaborar um contrato escrito, assinar a CTPS (física ou digital) e registrar o profissional no eSocial antes do início das atividades.
  2. Convocação: Enviar a convocação com, no mínimo, 72 horas de antecedência, especificando a jornada, o local e o valor da hora de trabalho.
  3. Pagamento: Efetuar o pagamento das verbas proporcionais (salário, DSR, 13º, férias + 1/3 e adicionais) imediatamente ao final de cada período de trabalho.
  4. Recolhimentos: Realizar o recolhimento do FGTS (8%) e do INSS (alíquota devida) mensalmente, com base na remuneração paga na convocação.
  5. Isonomia Salarial: Garantir que o valor da hora de trabalho não seja inferior ao salário-mínimo/hora ou ao valor pago a outros empregados da empresa que exerçam a mesma função.

Deveres do Trabalhador Intermitente

O trabalhador também possui obrigações claras, principalmente relacionadas à convocação:

  1. Resposta à Convocação: Responder ao chamado do empregador em até 24 horas após o recebimento. A recusa da convocação é um direito do trabalhador e não configura insubordinação ou quebra de contrato.
  2. Cumprimento da Jornada: Uma vez aceita a convocação, o trabalhador deve comparecer e cumprir a jornada de trabalho acordada.
  3. Penalidade por Falta: Caso o trabalhador aceite a convocação e não compareça sem justificativa legal, ele pode ser penalizado com o pagamento de multa de 50% da remuneração que seria devida, valor este que pode ser descontado no próximo pagamento.

O contrato de trabalho intermitente é uma ferramenta poderosa para a flexibilização da mão de obra, desde que os direitos e deveres no contrato intermitente sejam rigorosamente respeitados.

A chave para o sucesso desta modalidade reside na transparência, no cumprimento dos prazos de convocação e no pagamento imediato e proporcional de todas as verbas trabalhistas.

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Perguntas Frequentes (FAQ)

O que acontece se o trabalhador intermitente recusar uma convocação?

A recusa da convocação é um direito do trabalhador intermitente e não pode ser considerada insubordinação, nem motivo para rescisão do contrato. O vínculo empregatício permanece ativo durante os períodos de inatividade.

Como é feito o cálculo do FGTS e INSS no contrato intermitente?

O FGTS (8%) e o INSS (alíquota devida) são calculados sobre o valor total da remuneração paga ao final de cada convocação. O empregador é responsável por recolher e depositar esses valores mensalmente.

O contrato intermitente pode ser por prazo indeterminado?

Sim. O contrato intermitente é, por regra, um contrato por prazo indeterminado, com registro em CTPS. Ele só é encerrado por rescisão (demissão ou pedido de demissão).

O que é a multa de 50% no contrato intermitente?

A multa de 50% é uma penalidade aplicada ao trabalhador que aceita a convocação e, sem justo motivo, não comparece ao trabalho. O valor é calculado sobre a remuneração que seria devida e pode ser descontado no pagamento seguinte.

Qual a principal diferença do contrato intermitente?

A principal diferença é a alternância entre períodos de atividade e inatividade, com o pagamento de todos os direitos trabalhistas (salário, férias, 13º e DSR) sendo feito de forma proporcional ao final de cada convocação.

Referências

[1] Planalto. LEI Nº 13.467, DE 13 DE JULHO DE 2017 (Reforma Trabalhista).

[3] Planalto. DECRETO-LEI Nº 5.452, DE 1º DE MAIO DE 1943 (Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT).

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